terça-feira, 9 de outubro de 2012

Redução dos juros aquece setor de bens de capital

Depois de uma retração nas vendas no início do ano, a indústria de bens de capital sente agora um aquecimento. O fôlego veio da redução do juro da linha Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para compra de máquinas e caminhões, que caiu de 5,5% para 2,5% ao ano em setembro. O número de pedidos de crédito no Finame subiu em média 30% após a redução da taxa.
O BNDES, que recebia entre 800 e 1.000 pedidos de empréstimos por dia, chegou a registrar 1.500 nos últimos dias, disse o chefe do departamento de financiamento de máquinas e equipamentos do banco, Paulo Sodré. “O aquecimento do setor de caminhões foi imediato. Mas também sentimos uma retomada significativa em máquinas.”
A redução do juro do BNDES foi uma das medidas do governo de estímulo à economia. A taxa de 2,5% ao ano é, na prática, um “juro negativo”, ou seja, abaixo da inflação projetada para os próximos 12 meses – de cerca de 5,5%. A medida foi anunciada no fim de agosto, mas só entrou em vigor após a publicação do decreto, em 20 de setembro. O benefício vale até o fim do ano.
Caminhões
Só na última semana de setembro, o Banco Mercedes-Benz recebeu 800 pedidos de crédito para a compra de caminhões, um número bem acima da média semanal, de 300. “Tivemos de trabalhar no fim de semana para conseguir atender os clientes”, disse o diretor comercial do banco, Angel Martinez.
A demanda por crédito ocorre após uma queda de 23,2% nas vendas de caminhões entre janeiro e setembro, segundo a Anfavea. Muitas montadoras e fornecedores não estavam preparadas para um aquecimento tão rápido e agora correm para recompor o estoque.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os sinais de desgaste dos freios em caminhões

Motoristas devem estar sempre atentos ao sistema de frenagem dos caminhões, item fundamental para garantir a segurança não apenas de seus ocupantes, mas também daquelas que circulam pela malha viária. “Ao observar o retardamento na frenagem é sinal de que o sistema precisa de reparo”, afirma Osvaldo Peres, chefe de oficina da Tietê Veículos, acrescentando que a demora um pouco maior para frear pode indicar também que as lonas estão afastadas do tambor de freios.
Ruídos revelam que o desgaste dos freios já está em um estágio avançado. “A lona já chegou ao final de sua vida útil e os rebites começam a pegar no tambor de freios”, explica.
Segundo Peres, os sinais de desgaste nos freios são praticamente os mesmos em qualquer modelo de caminhão. “O princípio de funcionamento do sistema de freios é igual nos veículos. Só que no caminhão mais pesado é possível notar mais rápido a deficiência de frenagem, principalmente, se estiver carregado, em alta velocidade ou em uma descida”, comenta o chefe de oficina.
Para ele, o ideal é fazer a manutenção preventiva nos freios, ou seja, revisões periódicas em uma oficina de confiança.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Motoristas encaram o desafio de conciliar os estudos com a vida na boleia

Transformar a boleia numa sala de estudos é possível. O caminhoneiro consegue, mesmo viajando sempre, arrumar um jeito de estudar e seguir se qualificando. A experiência de Roberto Emerson de Pinho, 39 anos, no curso de segurança do trabalho, oferecido por Educação à Distância (EAD) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), mostra que, com dedicação, estudar e tirar o sustento da vida de estradeiro exige apenas vontade.

Natural de Itaperuna, no Rio de Janeiro, e atuando como motorista desde 1991, foram as palestras sobre segurança na empresa que despertaram o interesse do caminhoneiro pelo assunto, tema de debates recorrentes na profissão. Vislumbrando uma possibilidade de crescer na empresa em que trabalhava, ou mesmo em outras do setor, Pinho aventurou-se no curso. "Nas empresas ouvimos falar muito sobre segurança, há muitas palestras e cursos sobre o assunto, e vemos que estamos cercados por colegas sem qualificação. Percebi a necessidade das empresas e me motivei para passar de simples motorista para algo mais", conta.

Dividir a estrada com os livros, contudo, não foi tarefa fácil na vida de Pinho. Trabalhando com transporte rodoviário interestadual, o contato com os perigos das estradas eram diários, como se estivesse visualizando na prática alguns dos aprendizados do curso. "Chegava a estudar nos postos de gasolina, mas o grande problema para nós motoristas é a frequência. A oportunidade de fazer à distancia facilita muito, mas muitas vezes os dias de provas e aulas presenciais não coincidem com os dias em que você está na cidade", explica.

Pinho precisou trancar a matrícula. Um acidente o deixou com algumas sequelas, e ele está longe da direção e dos estudos até se recuperar. Uma greve na universidade também contribuiu, segundo ele. "Com certeza quero voltar, tranquei para não desperdiçar a oportunidade. Minha ideia é deixar a profissão de motorista para trás, para continuar em outro segmento, ou mesmo na área de transporte, mas em algo mais técnico", afirma.

Preparação para o vestibular entre as viagens
Outro exemplo de batalha pela qualificação vem de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O motorista Fábio Júnior Bueno, 29 anos, se prepara para prestar vestibular. "Eu não tinha terminado os estudos, agora fiz o terceirão e estou me preparando para o vestibular", revela. A intenção é conseguir alguma bolsa do governo ou um apoio na empresa onde trabalha.

Bueno ainda não decidiu a área que irá cursar, tem interesse em engenharia civil e arquitetura, mas ainda não tomou uma decisão, quer mesmo é se tornar um exemplo para a filha e outros motoristas. "Perdi muito tempo na vida quando era novo, larguei os estudos para trabalhar e ser independente, achei que o dinheiro era mais importante naquele momento. Hoje vejo o quanto eu perdi, espero evoluir para ter meu próprio negócio no futuro", sonha. 


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Vacinação em dia garante saúde e imunização aos motoristas

Transitar de um estado a outro, e até para fora do País, requer que os caminhoneiros procurem manter a vacinação sempre em dia. Isso porque a diversidade brasileira exige a proteção contra doenças locais - aquelas que estão erradicadas em algumas regiões e em outras, não. Este cuidado exige dos motoristas que circulam pelo território nacional manter atualizada a caderneta de vacinação também na fase adulta.
A partir de 20 anos, quatro vacinas devem ser tomadas, segundo o Ministério da Saúde, todas para evitar doenças infecciosas e contagiosas. Uma delas é a tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, por meio de dose única. Já a vacina dupla adulto age contra a difteria e o tétano e suas doses devem ser tomadas a cada 10 anos. A vacina contra a febre amarela, por sua vez, deve ser aplicada com a mesma periodicidade. A quarta é a da hepatite B, cuja faixa etária limite é de 29 anos, administrada em três dosagens com intervalos específicos.
Para quem roda pelas fronteiras do país e faz viagens de curta duração, especialmente, é recomendado manter sempre em dia o cartão, afirma o diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, Dirceu Rodrigues Alves. "Esses trabalhadores comem, passam e dormem em locais muito diferentes. A vigília para evitar a contaminação deve ser uma preocupação de quem trafega por inúmeras zonas”, diz.
Com duração de um ano, a vacina antigripal é uma das mais importantes e aconselhada pelos médicos, reforça Alves. Até porque o clima instável do território brasileiro, dividido por estados com diferentes temperaturas e sensações térmicas, propicia o aparecimento de gripes e resfriados. Devido ao alerta causado pelo vírus H1N1 neste ano, os caminhoneiros entraram no grupo prioritário de vacinação de alguns estados e tiveram acesso gratuito à dosagem.
Outra grande preocupação, porém, é quanto às enfermidades endêmicas e que não possuem imunização. Ainda que reduzidas as incidências, os casos de malária infestam a área compreendida como Amazônia Legal - incluindo Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão -, onde se concentram 99% das ocorrências no país. A dengue, cuja vacina ainda está em fase de testes, predomina nas regiões nordeste e sudeste. Ambas requerem cuidados como uso de repelente no corpo todo e mosquiteiros e evitar banhar-se em lagoas, igarapés e demais águas paradas.
Em todos os casos de doenças citadas acima, o indicado é não praticar a automedicação quando os sintomas surgirem. A atitude correta é buscar ajuda em postos de saúde ou hospitais e detalhar ao médico quais regiões foram visitadas antes da doença se manifestar.
Cartola - Agência de Conteúdo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Dicas para dirigir durante a noite


Guiar à noite requer maior concentração e menor velocidade. As luzes dos veículos na direção contrária podem atrapalhar a visão. Leve em conta que trafegar à noite dá mais sono ainda em quem já está cansado. Evite manter os olhos em um ponto fixo. Use as faixas ou os olhos de gato de marcação das pistas como referência. Se não houver nenhum tipo de sinalização ou não conhecer a estrada, mantenha uma distância maior e utilize as luzes traseiras do carro que estiver à sua frente para se guiar. Assim você poderá saber com antecedência o sentido das curvas, por exemplo. O mesmo serve para situações de neblina intensa. Nunca use farol alto quando houver veículos na sua frente ou vindo na direção contrária. O farol de milha, de longo alcance, é bastante útil. Ele produz um facho estreito de luz branca, como a projetada por um spot de teatro, que pode alcançar até 500 metros de distância.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dica para evitar maus hábitos ao volante


Alguns maus costumes ao volante prejudicam o veículo, exigindo manutenção precoce. Saiba quais são e os evite:

  •  O costume de sempre segurar o automóvel usando a embreagem, numa subida, em vez de usar o freio, faz com que os componentes da embreagem sofram desgaste mais acelerado, podendo provocar mais falhas ou exigir manutenção com mais freqüência.
  •  Virar o volante com o veículo parado força excessivamente os componentes do sistema de direção.
  •  Esperar o motor aquecer é uma prática desnecessária.
  • Andar muito tempo com o combustível na reserva pode prejudicar a bomba de combustível e as válvulas injetoras, em função das impurezas do combustível, depositadas no fundo do tanque.
  • Dirigir com a mão sobre a alavanca do câmbio desgasta as engrenagens.
  •  Manter o pé apoiado na embreagem provoca desgaste prematuro na peça.
  •  Dirigir com o braço para fora do carro provoca lentidão nas reações do motorista, que pode ser punido com multa.
  •  Dirigir com o banco “deitado” também dá lentidão às reações do motorista, e expõe o ocupante ao risco de sofrer “enforcamento” ao escorregar por baixo do cinto, além de facilitar a ocorrência de dores nas costas por má posição.
  •  Usar a luz de neblina desnecessariamente ofusca os motoristas que vêm atrás.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Descanso para caminhoneiros continua gerando polêmica

A discussão sobre acidentes de trânsito acaba esbarrando na polêmica lei que regulamenta a jornada de trabalho dos caminhoneiros (12.619/12). “Essa lei foi elaborada por quem não conhece o transporte rodoviário de carga e é impossível de ser cumprida. Com essa lei, o frete vai aumentar em 35% e a economia não irá suportar”, alerta o presidente do Movimento União Brasileira de Caminhoneiros, Nélio Botelho.
A lei, que entrou em vigor em agosto, prevê descanso obrigatório de 30 minutos a cada 4 horas de direção e 11 horas diárias de repouso. Estão previstas multas para quem não cumprir os períodos de descanso.
Entidades do setor, no entanto, argumentam que as rodovias não têm infraestrutura adequada para oferecer locais de descanso em número suficiente e de forma segura.
As rodovias brasileiras estão abandonadas pelo governo, reclama Botelho. “Não há a menor infraestrutura, nenhuma segurança. As medidas anunciadas pelo governo vêm em boa hora, mas acho que vai demorar muito tempo para colocar a situação em ordem.”
Levantamento
Por causa da polêmica gerada pela lei, o Conselho Nacional de Trânsito suspendeu por 180 dias a fiscalização da medida. O superintendente de serviços de transporte de cargas da ANTT, Noboru Ofugi, explica que nesse tempo não serão construídos pontos de descanso, porém será feito um levantamento para saber onde existem esses locais para repouso. “O governo vai identificar as rodovias que têm os pontos de descanso e que poderão ser fiscalizadas.”
“A lei precisa de algumas adequações, mas, de fato, é necessário que se tenha um ponto de descanso. Às vezes, o caminhoneiro pode estar cansado, até mesmo por situações da via, o que pode causar um acidente”, afirma o especialista em trânsito Márcio de Andrade.
Nélio Botelho, contudo, discorda: “O caminhoneiro não é o grande vilão das estradas. Isso é uma injustiça! Ele é um profissional extremamente responsável, pai de família, recebe orientações e cursos profissionalizantes das empresas para quem trabalha. O caminhão é a ferramenta de trabalho dele e ele deve zelar pelo caminhão, não pode estar tomando rebite [droga usada pelos motoristas para ficarem acordados por mais tempo]“. Ele diz que a maior parte dos acidentes é causado por motoristas de carros particulares. “O veículo particular, sim, está associado a álcool e drogas. Se houvesse, neste País, uma estatística para determinar verdadeiramente quais são os acidentes provocados por caminhões, eu garanto que o índice seria muito menor.”
Márcio de Andrade, no entanto, explica que vários fatores geram acidentes: as condições das vias, das placas de sinalização, imprudência, negligência, imperícia, aumento da frota, entre outros. “É necessário investir no transporte público de qualidade para que o condutor se sinta confortável para deixar o veículo em casa e usar o transporte de massa, diminuindo, assim, o número de veículos nas ruas.”
Para o especialista, regras mais rígidas, como prisão para quem dirige embriagado, podem reduzir o número de acidentes. “Além disso, se o governo investisse mais em campanhas educativas e em fiscalização, poderia haver uma redução [no número de acidentes].”